domingo, 22 de novembro de 2009

VELHAS ESTÓRIAS


Wellington Gonçalves Nery

Em casa poucos retratos manchavam a memória
Das paredes lisas em (in)cômodos sem som.
A infância passou num outono de ideias intempestivas
Que à noite singravam ondulantes sonhos do porvir.

Às mãos, uma pena velha de tinteiro esquecido
Tremulando linhas vesgas em papéis amarelados.

Àquele tempo, tudo que me ria era nobre poesia
Àquela hora, tudo que me revelava era velhas estórias.


E a noite caia feito beija-flor:
Nectando jardins, suspirando amores.
Pela manhã, os ares da realidade bafejava-me a sua crueldade
E a veloz cidade me consumia o tempo,
Me consumia a vida.

Transpirando saudade, sorria!
Um riso insosso, quase infeliz
Mais um coração a sangrar pela cidade maravilhosa.

Àquele tempo, tudo que me ria era nobre poesia
Àquela hora, tudo que me revelava era velhas estórias.


Piso a soleira, piso o sorriso,
Piso o sossego e o desequilíbrio
Só em ti, bela cidade,
Há muito já não piso!

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